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Operação Fornitore desmantela grupo de tráfico que abastecia o DF a partir de MS

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou nesta quinta-feira (18) a Operação Fornitore, com o objetivo de desmontar uma organização criminosa especializada no fornecimento, transporte interestadual e distribuição de drogas, além de lavagem de dinheiro.

A ação contou com apoio da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e resultou na prisão de cinco pessoas nas cidades de Campo Grande, Ponta Porã e Bela Vista — regiões estratégicas de fronteira.

Ao todo, foram cumpridos 15 mandados de prisão temporária e 20 de busca e apreensão em quatro unidades da federação: MS, Distrito Federal, Goiás e Pará. Cerca de 120 policiais participaram da operação.

Como funcionava o esquema

Segundo o delegado Paulo Fernando Coppi, da Draco/DF, o grupo atuava há pelo menos cinco anos com uma estrutura sofisticada:

  • Recebia grandes volumes de drogas na fronteira sul-mato-grossense;
  • Usava “casas cofre” para armazenar o material;
  • Transportava entorpecentes para abastecer o Distrito Federal e Goiás;
  • Lavava o dinheiro do tráfico por meio de empresas de fachada, contas de terceiros e “laranjas”;
  • Adquiria bens de luxo — carros, imóveis e embarcações — em nome de outras pessoas para esconder a verdadeira propriedade.

“Eles não tocavam na droga, eram os patrões. Só mandavam, comandavam de longe e usavam documentos falsos ou nomes de outros para não serem identificados”, explicou o delegado.

A investigação começou em 2023 e já havia prendido, em dezembro de 2025, uma das lideranças do grupo no Pará — um homem foragido desde 2008 e condenado a mais de 30 anos por triplo homicídio, que continuava comandando o tráfico à distância. O grupo já foi ligado a apreensões de mais de 8 toneladas de maconha em operações anteriores.

Resultados em MS

  • Campo Grande: 2 prisões (homem e mulher). Um dos detidos é considerado alvo principal e já tem passagens por tráfico e receptação — foi preso em 2018 pela Denar. Duas armas foram apreendidas, uma com ele, gerando prisão em flagrante.
  • Bela Vista: Casal preso, mais uma arma apreendida e um imóvel sequestrado pela Justiça.
  • Ponta Porã: Uma mulher detida.

Além das armas, foram recolhidos celulares, notebooks, documentos e anotações que ajudarão a mapear a movimentação financeira e a divisão de tarefas. Nenhum bem de luxo foi encontrado no Estado, mas as buscas seguem.

Medidas judiciais em todo o país

Para descapitalizar o grupo, a Justiça determinou:
 Sequestro de 7 imóveis (em MS, SP, GO e DF);
 Bloqueio de contas bancárias até R$ 1 milhão por investigado ou empresa;
 Quebra de sigilos fiscal e financeiro;
 Busca e apreensão de veículos e documentos.

Os envolvidos respondem por tráfico interestadual, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de capitais — penas somadas podem chegar a mais de 40 anos de prisão.