Foragido desde julho, Neno Razuk é detido na Bolívia e deve ser transferido ao Brasil
Após semanas sendo procurado pela Justiça brasileira, o ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, conhecido como Neno Razuk (PL), foi localizado e preso neste domingo (2) na Bolívia. Foragido desde julho deste ano, ele foi detido pelas autoridades bolivianas por permanecer de forma irregular no país e agora aguarda os procedimentos que poderão resultar em sua transferência para o Brasil.
As primeiras informações apontam que a abordagem ocorreu durante uma fiscalização policial. Conforme apurado, Neno apresentou documentos brasileiros e acabou identificado pelas autoridades locais. Embora seu nome já tivesse autorização judicial para inclusão na lista de Difusão Vermelha da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal), o procedimento ainda não havia sido concluído quando ocorreu a prisão, o que significa que ele ainda não possuía mandado internacional de captura.
A entrega do ex-parlamentar às autoridades brasileiras dependerá dos trâmites legais entre Brasil e Bolívia. Até o momento, não há previsão oficial para eventual transferência.
Procurado pela reportagem, o advogado Ricardo Souza Pereira, responsável pela defesa de Neno Razuk, informou que ainda não recebeu comunicação oficial sobre a prisão. Segundo ele, a confirmação não chegou nem por parte do cliente nem das autoridades envolvidas.
Condenação e condição de foragido
Neno Razuk foi condenado, em primeira instância, a 15 anos, 7 meses e 15 dias de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, roubo majorado e exploração do jogo do bicho. Ele recorria da sentença, mas passou à condição de foragido da Justiça em julho de 2026.
Dias antes da prisão, a Justiça de Mato Grosso do Sul autorizou a inclusão de seu nome na lista de procurados da Interpol, medida destinada a facilitar sua localização em outros países.
Em maio deste ano, o ex-deputado também perdeu o mandato na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul após uma recontagem de votos determinada pela Justiça Eleitoral. Com a saída do cargo, deixou de possuir foro por prerrogativa de função.
Investigação da Operação Successione
O nome de Neno Razuk passou a ser investigado a partir da Operação Successione, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, em dezembro de 2023.
As investigações apontam a existência de uma organização criminosa voltada à exploração do jogo do bicho em Campo Grande, que, segundo o Ministério Público, utilizava violência e intimidação para ampliar o controle da atividade ilegal.
De acordo com a apuração, o grupo teria surgido após disputas envolvendo roubos de malotes de bancas concorrentes. As investigações também identificaram a participação de policiais militares da reserva e de um ex-policial militar, que, conforme o Ministério Público, utilizariam a influência e o porte de arma para fortalecer a atuação da organização.
Na primeira fase da operação, dez pessoas foram alvo de mandados judiciais. À época, Neno negou qualquer envolvimento com os fatos investigados e afirmou confiar que sua inocência seria demonstrada ao longo do processo.
A Operação Successione teve novos desdobramentos em dezembro de 2023, janeiro de 2024 e novembro de 2025, quando foram cumpridos dezenas de mandados de prisão e de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul e em outros estados.
Na quarta fase da investigação, além de Neno Razuk, também foram denunciados familiares do ex-deputado, entre eles o pai, Roberto Razuk, e os irmãos Rafael Godoy Razuk e Jorge Razuk Neto. Segundo o Ministério Público, o ex-parlamentar exerceria papel de liderança na organização criminosa.
As investigações ainda apontam que Roberto Razuk teria comandado, durante anos, a exploração do jogo do bicho na região sul de Mato Grosso do Sul. Conforme o Gaeco, a estrutura investigada teria sucedido antigas organizações ligadas à contravenção no Estado, ampliando sua atuação após mudanças no comando da atividade ilegal.
Até a última atualização desta reportagem, as autoridades brasileiras e bolivianas não haviam divulgado detalhes sobre o procedimento que será adotado para a eventual entrega de Neno Razuk ao Brasil.
