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Epidemia de buracos na Capital pode virar CPI na Câmara e investigar contratos da gestão Adriane Lopes

Um dos grandes problemas da atual gestão administrativa de Campo Grande pode, finalmente, dar origem a uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal. A pauta ganhou notoriedade ao longo dessa semana, com o movimento liderado pela vereadora Luiza Ribeiro (PT), que agora tenta obter o apoio dos demais parlamentares para avançar na iniciativa.

O objetivo do pedido, segundo a própria parlamentar explicou, é investigar possíveis irregularidades nos contratos e na execução dos serviços de tapa-buracos. “A ideia é esclarecer a aplicação dos recursos públicos, a qualidade dos serviços prestados e as razões para a deterioração das ruas e avenidas da cidade”, sustentou (via assessoria).

Luiza acusa uma redução de quase 70% na previsão orçamentária destinada à modernização e requalificação das vias urbanas. “Enquanto em 2025 estavam previstos mais de R$ 132 milhões, para 2026 o valor caiu para pouco mais de R$ 40 milhões”, apontou. A vereadora ainda questiona a participação de Campo Grande no Consórcio CENTRAL MS, que reúne municípios da região central do estado.

O Consórcio dispõe de uma usina de pavimentação asfáltica com capacidade de produzir 120 toneladas por hora, equipamento que poderia contribuir para reduzir custos e ampliar a recuperação das vias públicas. Apesar disso, somente no primeiro semestre de 2026, a Câmara recebeu quase 9 mil solicitações de serviços de tapa-buracos.

O pedido para CPI também considera as investigações do Ministério Público (MPMS). Ao todo, são 12 ações de improbidade administrativa relacionadas aos serviços de tapa-buracos. Além disso, houve a Operação Buraco Sem Fim, que apura suspeitas de fraudes em contratos, medições irregulares e pagamentos por serviços parcialmente executados ou não realizados.

Luiza Ribeiro cobra, ainda, explicações da prefeita Adriane Lopes sobre a ausência de resposta a um requerimento aprovado pela Câmara, que solicitava informações detalhadas sobre a execução desses serviços. “A CPI é necessária para transparência, identificar responsabilidades e esclarecer como os recursos destinados à manutenção das ruas estão sendo utilizados”, defendeu.

A proposta prevê uma investigação inicial de 120 dias e tem como fato determinado a análise de contratos, investimentos, execução dos serviços e possíveis irregularidades. Para que seja aberta, é preciso que o pedido da CPI seja aceito por pelo menos 10 vereadores, ou seja, 1/3 dos membros da Casa, que atualmente conta com um total de 29 vereadores.