destaques direitaPolicial

Operação Dirty Pix cumpre prisões e buscas por desvio de R$ 18 milhões no Hospital de Sidrolândia

Foi deflagrada nesta quarta-feira (7) a segunda fase da Operação Dirty Pix, que apura um esquema de corrução na Sociedade Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, entidade que administra o Hospital de Sidrolândia.

A ofensiva é realizada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio da 3ª Promotoria de Justiça de Sidrolândia, e pelos Grupos Especiais de Combate à Corrupção (Gecoc) e de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Ao todo, são cumpridos três mandados de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão em imóveis localizados nas cidades de Campo Grande, Sidrolândia, Maracaju e Selvíria.

O esquema investigado

Foi a partir da identificação de desvio de recursos públicos destinados à aquisição de um aparelho de ressonância magnética e de autoclave hospitalar, oriundos de convênio firmado entre o Estado de Mato Grosso do Sul e a Sociedade Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, que o esquema foi descoberto.

Conforme o MPMS, o montante desviado ultrapassa R$ 18 milhões. Esses recursos deveriam custear:

  • Aquisição de ressonância magnética e autoclave hospitalar;
  • Implantação de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) móvel;
  • Obras de reforma e compra de equipamentos e materiais hospitalares.

Como funcionava a fraude?

A investigação apontou para um modus operandi estruturado e repetido:

  1. Planos de trabalho com dados falsos, superfaturamento de preços e direcionamento de licitações para empresas previamente combinadas;
  2. Após o repasse dos valores, parte era desviada de sua finalidade;
  3. Dinheiro redistribuído por meio de movimentações em PIX e transferências diretas e indiretas para agentes políticos, articuladores e intermediários;
  4. A organização também teria usado seu poder financeiro para obstruir investigações.

A primeira fase da operação ocorreu em novembro de 2025. Desde então, novos elementos de prova aprofundaram a apuração, revelando que o desvio não se limitava a um convênio, mas era prática recorrente em múltiplos repasses públicos.

O nome da operação

Sobre o nome da operação, “Dirty Pix” — “PIX sujo”, o MPMS explica que faz referência à natureza ilícita das transferências eletrônicas usadas para movimentar e ocultar os valores desviados entre as contas envolvidas.

Os materiais apreendidos serão analisados para identificar a totalidade dos envolvidos, o rastro dos valores e a extensão dos danos ao erário e à saúde pública. Os presos serão ouvidos e a investigação segue para responsabilização de todos os participantes.