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Advogado é preso por vazar informações de operação contra investigadores e delegado por desvio de cocaína apreendida

Um advogado acabou preso na manhã dessa terça-feira (29), em Campo Grande, por vazamento de informações sigilosas da Operação Infiltrados, deflagrada no último dia 24 contra um esquema envolvendo investigadores e delegados da Polícia Civil para a venda de entorpecentes apreendidos.

Conforme o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), contra o profissional foi realizada a segunda fase da investida, chamada de Operação Obstructio. Além do mandado de prisão, também foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em endereços situados na Capital.

A investigação pontuou que há evidências, já materializadas, de que ocorreu a comunicação criminosa da ação policial, o que acabou por embaraçar diretamente a investigação do Gaeco sobre a atuação da organização criminosa. A seccional de Mato Grosso do Sul da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/MS) acompanhou as diligências.

Ainda segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o nome “Obstructio”, em latim, remete à ideia de obstrução, bloqueio ou colocação de obstáculo no caminho e aponta para a obtenção indevida de informação com o intuito de inviabilizar ou dificultar o cumprimento de medidas judiciais legalmente determinadas.

Operação Infiltrados

Conforme dito anteriormente, a Operação Infiltrados investiga um esquema de desvio de drogas apreendidas por agentes de segurança, principalmente cocaína. Segundo o MPMS, parte dos entorpecentes seria omitida dos registros ou retirada de depósitos policiais e depois repassada a traficantes para retornar ao mercado ilegal. A investigação começou em outubro de 2025.

Na ação, foram cumpridos 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos. As investigações foram iniciadas em outubro de 2025, a partir de provas descobertas nas operações Traquetos e Blindspot, que revelaram a participação de vários policiais em um esquema de desvio de drogas, especialmente cocaína.

O modus operandi consistia no desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais, seja por meio da omissão — nos registros formais — de parte da droga efetivamente arrecadada, seja pela subtração de entorpecentes diretamente do depósito da delegacia. A droga desviada seria repassada para traficantes ligados à organização criminosa, que seriam responsáveis por reintroduzi-la no mercado ilícito.

Segundo a investigação, os policiais suspeitos de integrar a organização criminosa se valiam de suas funções públicas exercidas no combate à criminalidade para atuar como fornecedores para o tráfico.