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Quem está fiscalizando a qualidade do ensino remoto em Campo Grande?

“A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.”.

Esse é o Art. 205 da Constituição Federal de 1988, o item que garante a todos os brasileiros o direito de ter uma educação de qualidade e que prepare para o mercado de trabalho.

Nesta semana, borbulhou nas redes sociais dos campo-grandenses o vídeo postado por aluno de oito anos do 4º ano do Ensino Fundamental onde ele faz uma série de reclamações plausíveis contra a REME (Rede Municipal de Ensino) quanto à péssima qualidade dos cadernos de atividades disponibilizados para as lições das aulas remotas.

Em teu relato, o menino Eduardo Versales de Oliveira questiona as autoridades da Educação Pública de Campo Grande sobre como ele conseguirá entender um mapa geográfico estando este em preto e branco. Se para muitos parece algo ‘bobo’, o argumento do estudante faz sim todo o sentido e revela o descompromisso da Prefeitura em ofertar uma educação de qualidade em tempos de pandemia.

Há pouco mais de um ano convivendo com aulas remotas, temos visto de lá para cá as próprias famílias precisando ‘se virar nos 30’ para complementarem o ensino dos professores, limitado a apenas uma tela de vídeo e a troca de áudios por meio do celular. Qual o resultado de um ensino infanto-juvenil sem a presença física de um educador para lhe oferecer o suporte necessário na hora da dúvida?

Diante do exposto, coloco aqui mais uma indagação. Quem está fiscalizando a eficácia e a qualidade dos materiais educativos, das aulas remotas e do atendimento aos alunos,  bem como seus pais e responsáveis em Campo Grande?

A Câmara Municipal, através de sua Comissão Permanente de Educação, comandada pelos vereadores Professor Juari (presidente), Valdir Gomes (vice-presidente), precisa fiscalizar e cobrar do Poder Público a total qualidade do ensino remoto. É necessário ouvir os alunos, saber se estão conseguindo aprender as lições, é necessário ouvir os pais e responsáveis, saber quais dificuldades estão enfrentando para que seus filhos consigam aprender, e também ouvir os professores para saber se estão conseguindo, com o devido sucesso, ensinar.

Entendo eu, como cidadão, que devemos sim prezar pela saúde pública em tempos de pandemia, mas como profissional do Direito, ex-vereador de Campo Grande e ex-deputado estadual de Mato Grosso do Sul, digo que não podemos abandonar a educação de nossas crianças. É obrigação do Poder Público, como cita a Constituição, oferecer um ensino de qualidade para todos.

Jorge, se eu pudesse, lhe daria uma medalha de honra ao mérito por defender o que é seu por Direito. Parabéns por ser um cidadão exemplar!!

Segue abaixo o vídeo postado pelo estudante na rede social:

https://www.instagram.com/p/CPUnOAkh-Pe/

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