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Mato Grosso do Sul completa 49 anos; veja como o Estado foi criado

Mato Grosso do Sul completa 49 anos neste domingo (11) com uma trajetória marcada pela expansão econômica, pela diversidade cultural e por mudanças na estrutura produtiva. Criado a partir do desmembramento de Mato Grosso, o Estado busca consolidar novas atividades industriais, ampliar a qualificação profissional e fazer com que os resultados dos investimentos públicos e privados se traduzam em melhores condições de vida para a população.

A criação ocorreu em 11 de outubro de 1977, quando o presidente Ernesto Geisel sancionou a Lei Complementar nº 31, em Brasília. A instalação oficial, porém, aconteceu em 1º de janeiro de 1979, com Campo Grande escolhida como capital e a organização das instituições responsáveis pela administração do novo território.

A transformação também mudou a rotina da capital. Na época, Campo Grande deixou de ser uma cidade do interior de Mato Grosso para assumir a função de centro político e administrativo do novo Estado. O fotógrafo Roberto Higa, que acompanhou os acontecimentos e registrou momentos daquela época, relembrou a movimentação provocada pela chegada de autoridades e pela realização de eventos oficiais.

“Campo Grande foi invadida por coisas que antes não éramos acostumados. Nós éramos uma cidade do interior do estado e passamos a ser uma capital”, recordou Higa, em entrevista recuperada feita à TV Morena.

Da criação do Estado à consolidação das instituições

A organização política de Mato Grosso do Sul começou antes mesmo da instalação oficial. Em novembro de 1978, a população da porção sul de Mato Grosso elegeu seus representantes para a Assembleia Legislativa, conforme previsto na legislação de criação do Estado.

Em 1º de janeiro de 1979, 18 deputados estaduais tomaram posse e iniciaram os trabalhos da Assembleia Constituinte. Londres Machado foi eleito presidente do grupo e, em 4 de janeiro daquele ano, assinou o ato que instituiu a Comissão Constitucional encarregada de elaborar a primeira Constituição estadual.

O governador Harry Amorim Costa, nomeado em 1978, participou da fase inicial de organização administrativa. A estruturação dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário estabeleceu as bases institucionais do novo Estado.

Em 13 de junho de 1979, a promulgação da primeira Constituição marcou a conclusão dos trabalhos constituintes e a consolidação da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) como instituição permanente.

Desde então, o Parlamento estadual passou a atuar na elaboração e no aperfeiçoamento de leis relacionadas à administração pública e aos direitos da população. Segundo dados divulgados pela própria Assembleia, 6.638 leis passaram pela instituição ao longo de sua história.

Economia diversificada e novas cadeias produtivas

A economia sul-mato-grossense tem raízes na criação de gado e na produção de erva-mate. Nas últimas décadas, a agricultura ganhou força, com destaque para culturas como soja, milho e cana-de-açúcar, enquanto a pecuária permaneceu entre as principais atividades econômicas.

O Estado também ampliou sua participação na indústria, especialmente no processamento de produtos agropecuários e no desenvolvimento de cadeias como celulose, bioenergia e citricultura. A extração de minerais, entre eles ferro, manganês e calcário, integra a base produtiva regional.

A estratégia de industrialização procura agregar valor à produção local, reduzir a dependência da exportação de matérias-primas e estimular a criação de empregos. O comércio e os serviços também desempenham papel importante na geração de renda nos municípios.

Outro destaque é o turismo. Bonito e a Serra da Bodoquena atraem visitantes interessados em rios de águas cristalinas, cavernas, cachoeiras e atividades de ecoturismo. No Pantanal, a observação da fauna, as paisagens alagáveis e as tradições pantaneiras contribuem para a projeção nacional e internacional de Mato Grosso do Sul.

Pantanal e diversidade cultural marcam a identidade estadual

A identidade sul-mato-grossense foi formada pela convivência de diferentes povos e tradições. Indígenas, comunidades negras, paraguaios, bolivianos, japoneses, descendentes de europeus e outros grupos migrantes contribuíram para a formação social e cultural do Estado.

Essa diversidade aparece na culinária, na música, nas festas populares e nos costumes cotidianos. O tereré, compartilhado em rodas de conversa, tornou-se um dos símbolos mais conhecidos da região. O arroz carreteiro, a sopa paraguaia, a arte indígena e as manifestações ligadas à vida no campo também fazem parte desse patrimônio cultural.

A música tem no chamamé uma de suas expressões tradicionais. Com influência da cultura regional e das relações históricas com países vizinhos, o gênero ganhou espaço em festas e apresentações culturais. Campo Grande é reconhecida como Capital Nacional do Chamamé.

O Pantanal, por sua vez, influencia não apenas a paisagem, mas também a economia e o imaginário coletivo. A dinâmica das cheias, o trabalho dos peões e boiadeiros e a presença de espécies como onças-pintadas, tuiuiús e jacarés estão entre os elementos que caracterizam a região.

A preservação ambiental é um dos desafios associados ao desenvolvimento econômico, especialmente diante da expansão das atividades produtivas e da necessidade de proteger os recursos naturais que sustentam o turismo, a biodiversidade e as comunidades locais.

Assembleia destaca compromisso com a população

Na avaliação do presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Gerson Claro (PP), Mato Grosso do Sul chega ao aniversário em um período de transformações econômicas e estruturais.

“Mato Grosso do Sul chega aos 49 anos vivendo um momento de grandes transformações. Somos um Estado que conquistou a confiança de quem investe, fortaleceu sua economia e avança na industrialização da nossa produção. O grande desafio é transformar toda essa riqueza em mais empregos, saúde, educação e qualidade de vida para a população. É com esse compromisso que vamos continuar construindo um Mato Grosso do Sul cada vez mais desenvolvido, próspero e preparado para o futuro”, afirmou.

O parlamentar ressaltou a necessidade de conciliar o crescimento econômico com políticas públicas capazes de atender às demandas da população. Nesse contexto, a atuação do Legislativo envolve a discussão de medidas para áreas como educação, saúde, infraestrutura e desenvolvimento regional.

Estado aposta na mobilidade social e na qualificação profissional

Além da expansão da atividade econômica, o governo estadual aponta a mobilidade social como um dos principais indicadores do desenvolvimento de Mato Grosso do Sul. A proposta é ampliar as oportunidades para que os jovens tenham condições de alcançar uma situação econômica melhor do que a de seus pais e construam perspectivas mais favoráveis para as próximas gerações.

O governador Eduardo Riedel atribui parte dos resultados ao ambiente de negócios, aos investimentos públicos e privados e à ampliação das políticas de educação e qualificação profissional.

“O Estado teve grandes conquistas nos últimos anos, mas a que melhor simboliza esse cenário positivo é sermos líderes em mobilidade social do Brasil. Isso significa que, hoje, o cidadão tem uma vida melhor que a de seu pai e que, no futuro, seu filho terá ainda mais oportunidades. Para chegarmos a esse resultado, houve muito trabalho coletivo, empenho, dedicação e a construção de um ambiente de prosperidade. Melhorar a vida das pessoas é o nosso principal objetivo”, declarou.

Segundo informações divulgadas pelo governo estadual, Mato Grosso do Sul recebeu R$ 81 bilhões em investimentos privados nos últimos anos. A administração também destaca o crescimento econômico, a geração de empregos e a atração de empreendimentos industriais como fatores que contribuem para ampliar a renda e diversificar a economia.

A transformação desse cenário em melhorias permanentes, no entanto, depende de as oportunidades alcançarem diferentes segmentos da população e os municípios do interior, e não apenas as regiões que concentram os maiores investimentos.

Programas buscam reduzir obstáculos à educação

A ampliação do acesso à educação e a permanência dos estudantes nas instituições de ensino estão entre as estratégias utilizadas pelo governo estadual para aumentar as possibilidades de ascensão social.

Um dos exemplos é o MS Supera, programa que oferece auxílio financeiro a estudantes de baixa renda matriculados em cursos de educação profissional ou de graduação, em instituições públicas e privadas. O benefício busca ajudar a custear despesas que podem dificultar a continuidade dos estudos.

A estudante Ariadne Mariana Rocha, aprovada em Medicina na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), é uma das beneficiárias. Sem condições de arcar sozinha com todos os gastos da formação, ela passou a receber um auxílio mensal equivalente a um salário mínimo.

“O programa entrou na minha vida não apenas como uma ajuda financeira, mas como um motivo a mais para continuar a faculdade. Quando o estudante está menos ansioso e menos preocupado com os gastos, consegue estudar melhor e, depois, tornar-se um profissional melhor”, relatou Ariadne, que está no sétimo semestre do curso.

A estudante Emily Teixeira também ingressou em Medicina na UFMS e atribui parte da conquista à formação recebida na Escola Estadual Emygdio Campos Widal, em Campo Grande.

Ela destacou o apoio dos professores e o aproveitamento das atividades escolares como fatores importantes durante a preparação para o vestibular. A experiência é apontada pela administração estadual como exemplo da importância da rede pública de ensino para ampliar o acesso ao ensino superior.

Ensino profissionalizante e modernização das escolas

A educação profissional é outra frente da política estadual. De acordo com dados do governo, cerca de 55% dos alunos do ensino médio da Rede Estadual estão matriculados em cursos profissionalizantes. A oferta foi ampliada para os 79 municípios de Mato Grosso do Sul.

O número de estudantes matriculados na educação profissional chega a aproximadamente 50 mil. As turmas passaram de 1,1 mil para mais de 1,7 mil entre 2025 e 2026, segundo a administração estadual.

A modernização da infraestrutura escolar também integra a estratégia. O governo informa que os investimentos em obras nas unidades de ensino somaram R$ 1,2 bilhão durante a atual gestão, com intervenções em 240 escolas — cerca de 70% da rede física estadual.

A proposta é preparar os estudantes para as exigências do mercado de trabalho e aproximar a formação profissional das áreas que mais demandam trabalhadores, especialmente diante da expansão industrial e dos investimentos em novas cadeias produtivas.

Ao completar 49 anos, Mato Grosso do Sul reúne indicadores de crescimento, uma economia em transformação e uma identidade construída pela diversidade de seus povos e biomas. O desafio para os próximos anos é fazer com que a expansão produtiva, a preservação ambiental e o fortalecimento dos serviços públicos avancem de forma integrada, ampliando as oportunidades e melhorando as condições de vida em todo o Estado.