CPI do Tapa-Buraco ganha apoio de vereadores para investigar contratos, pagamentos e a execução
A cobrança por soluções e por transparência sobre os serviços de tapa-buraco tomou conta da Câmara Municipal. A proposta de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os contratos, pagamentos e a efetiva execução das obras já conta com sete assinaturas, sendo necessárias pelo menos 10 para a abertura. Se for instaurada, o grupo deve analisar desde os valores liberados até as medições e os serviços realmente entregues.
Os vereadores que já assinaram o pedido de abertura são: Luiza Ribeiro (PT), Jean Ferreira (PT), Landmark (PT), Marquinhos Trad (PV), Maicon Nogueira (PP), André Salineiro (PL) e Dr. Francisco (União Brasil).
A iniciativa ganha força em sintonia com apurações já em curso no Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MP-MS), por meio da Operação Buraco Sem Fim, que já ajuizou 12 ações de improbidade administrativa.
As suspeitas incluem fraudes contratuais, medições irregulares e pagamento por trabalhos não realizados. Entre 2018 e 2025, os contratos somaram R$ 113,7 milhões; durante as buscas, foram apreendidos R$ 429 mil em dinheiro vivo.
Orçamento cai e reclamações disparam
Outro dado que alimenta a polêmica é a drástica redução de verbas destinadas à requalificação viária: de mais de R$ 132 milhões previstos em 2025, o orçamento para 2026 caiu para pouco mais de R$ 40 milhões — recuo de quase 70%.
O problema reflete-se diretamente no dia a dia: só no primeiro semestre deste ano, das 24.673 indicações enviadas à Prefeitura pelos vereadores, quase 9 mil tratavam de pedidos de tapa-buraco, espalhados por todas as regiões da cidade.
“A população precisa saber quanto está sendo gasto, como os serviços são executados e por que os problemas persistem. A manutenção das ruas é um serviço essencial, e o cidadão tem o direito de saber como seu dinheiro está sendo aplicado”, destaca a vereadora Luiza Ribeiro (PT), que está liderando o pedido de abertura da CPI.
Apoio à investigação e cobrança de cronograma
Outro que também é favorável ao mecanismo de investigação é o vereador André Salineiro (PL). Ele reafirmou o pedido de transparência feito em ofício enviado em agosto, que não recebeu retorno.
Recém-eleito deputado estadual, o ainda vereador campo-grandense quer detalhes do cronograma diário do mutirão anunciado pela Prefeitura, que promete tapar até 3 mil buracos por dia em 11 bairros.
“Investigar não é condenar. Ou vamos apurar o que aconteceu, ou deixaremos o assunto passar sem que esta Casa cumpra seu papel”, declarou. Sobre os novos contratos, orçados em R$ 46,3 milhões, Salineiro promete fiscalização direta: “Se disserem que vão atender determinada rua, eu vou pessoalmente conferir se o trabalho foi feito”.
O vereador Professor Juari somou-se às críticas: “A população não aguenta mais tanto buraco, seja no centro ou nos bairros. Isso virou problema crônico. Precisamos de um plano de ação eficaz, que resolva de fato”.
Presidente da Câmara admite: “estamos perdendo essa guerra”
O tom mais incisivo veio do presidente da Casa, vereador Epaminondas Neto, o Papy, que admitiu que as medidas adotadas até agora não têm sido suficientes.
O parlamentar exigiu ação imediata do Executivo, incluindo a criação de turnos noturnos e de fim de semana para intensificar os serviços. “Estamos atrasados e perdendo essa guerra para os buracos, ainda mais com a chegada da temporada de chuvas”, alertou.
Ele questionou a eficácia dos instrumentos usados até o momento: “Indicação não está dando certo, nem requerimento, nem convocação de secretário. Qual instrumento temos para cobrar uma solução?”.
Papy também citou relatos de dificuldades operacionais, como a necessidade de aluguel de máquinas, e cobrou: “É preciso pôr os times nas ruas e encher a cidade de equipes”.
Com a proximidade das chuvas e a pressão popular crescente, a definição sobre a instalação da CPI e a resposta da Prefeitura devem dominar a pauta da Câmara nos próximos dias.
