Confusão força cancelamento da sessão da Câmara com esclarecimentos de secretário sobre tapa-buracos
Uma confusão envolvendo um servidor público e um manifestante que participavam da sessão desta terça-feira (20) da Câmara Municipal de Campo Grande interrompeu e suspendeu a prestação de contas do secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André Moura Brandão.
A fala do representante da Prefeitura Municipal, que tinha como tema central a situação do serviço de recapeamento das vias urbanas e o tapa-buracos, era a única atividade prevista na pauta do dia. Com a suspensão, os vereadores irão retornar ao plenário em sessão ordinária somente na quinta-feira (22).
Entenda os fatos
A Câmara estava lotada nessa terça-feira para acompanhar os questionamentos que os vereadores fariam ao secretário. Na plateia, faixas, cartazes e até mesmo a maquete de um buraco no asfalto eram apresentados pelos manifestantes. Foi exatamente essa maquete que fez começar a confusão entre um servidor comissionado, que assistia à sessão, e o dono do objeto, um comerciante de 36 anos.
Em determinado momento, já quando a sessão acontecia, o servidor se revoltou com a maquete, alegando que estava na sua frente, atrapalhando a visão. Houve uma discussão entre os dois e, na briga, o servidor quebrou a maquete. O tumulto na plateia interrompeu a fala no plenário e o presidente da Câmara, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), determinou a retirada do servidor.
Com isso, outra confusão teve início, com a presença de guardas civis metropolitanos deslocados para forçar a saída dele, que tentou resistir. Papy chegou a afirmar que não retomaria a sessão caso o manifestante não deixasse a Casa. O servidor chegou a sair, mas voltou em seguida, ocasião em que Papy reforçou a declaração anterior e encerrou a sessão.
Secretário não chegou a falar
O titular da Sisep, André Moura Brandão, foi convocado pela Câmara para esclarecer custos, contratos, prazos e execução do tapa-buraco. As explicações antecipariam a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que já atingiu a quantidade de coletas de assinatura para ser instaurada, mas o pedido de abertura só será analisado na próxima semana.
Conforme Papy disse, ainda no início da sessão, cada parlamentar poderia fazer até duas perguntas ao secretário. Entre os questionamentos pretendidos estavam sobre o vencimento de contratos sem nova licitação, fim dos saldos disponíveis para os serviços e por que Campo Grande ficou cerca de quatro meses sem tapa-buraco ativo.
Com o tumulto, Papy decidiu cancelar a continuidade da sessão. O secretário será convocado novamente para participar da prestação de contas e responder aos questionamentos dos vereadores, mas ainda não foi definida a data de quando isso acontecerá. A Câmara Municipal ainda não se manifestou sobre os fatos.
