Após pressão popular, Câmara vai abrir CPI para investigar a execução do serviço de tapa-buracos
Após grande repercussão nas redes sociais e na imprensa, finalmente a maioria dos vereadores da Câmara Municipal assinou o pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os contratos, a execução e todos os cortes orçamentários na manutenção das vias da Capital.
O pedido partiu da vereadora Luiza Ribeiro (PT), principal opositora da prefeita Adriana Lopes (PP), mas não recebeu a adesão necessária de imediato. Até ontem, apenas oito dos 29 vereadores tinham assinado a solicitação da CPI. Conforme o regimento interno da Casa de Leis do Município, são necessários pelo menos 1/3 dos parlamentares, ou seja, no mínimo 10 apoios para o avanço da apuração.
Após longas negociações, uma reunião durante a tarde dessa sexta-feira (16) decretou a assinatura coletiva dos vereadores para que a Comissão seja instaurada, com o prazo previsto de 120 dias para a conclusão dos trabalhos. Segundo os próprios legisladores, essa é uma resposta à crise que se arrasta nas ruas e avenidas da cidade.
O que será investigado?
Conforme consta, o requerimento direciona a apuração para três eixos centrais:
- Possíveis irregularidades na celebração e execução dos contratos;
- A drástica redução dos recursos orçamentários destinados à requalificação viária em 2026;
- O não cumprimento de prazos de resposta a requerimentos de informação já aprovados pelo Plenário.
Após a coleta das assinaturas, o documento segue para a Procuradoria Jurídica da Casa, que emitirá parecer técnico. Na sequência, a Mesa Diretora oficializará a criação da CPI, definindo sua composição, presidência e relatoria. A expectativa é de que a autora do pedido, Luiza Ribeiro, presida a apuração que pode resultar no pedido de cassação da prefeita Adriane Lopes por improbidade administrativa.
“Instrumento em prol da população”, diz Papy
O presidente da Câmara, vereador Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), destacou o consenso em torno da medida. “Os vereadores se reuniram para anunciar à sociedade uma decisão coletiva. Diante da crise e da escassez de soluções eficazes, todos puderam se manifestar. O resultado foi amplo apoio à CPI — inclusive de parlamentares ausentes, que já declararam concordância”, afirmou.
Ainda segundo Papy, o objetivo da CPI é claro: “Investigar por que o serviço tem se mostrado ineficaz. Essa comissão será um instrumento da Câmara em defesa da população de Campo Grande”.
Secretário convocado para prestar contas
A abertura da CPI dos Tapa-buracos ocorre um dia após os vereadores aprovarem a convocação do secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André Moura Brandão, para prestar esclarecimentos sobre o serviço de recuperação das vias.
A sessão está marcada para o dia 20 de outubro. A presença do gestor deverá permitir à população e aos parlamentares acompanharem de perto as explicações da Prefeitura sobre os problemas enfrentados nas ruas.
