Campo Grande registrou mais de 1,1 mil acidentes com escorpiões em 2022; veja como se proteger!
Campo Grande registrou durante o ano passado 1.165 acidentes envolvendo a picada de escorpiões, segundo os dados divulgados pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) divulgados nesta terça-feira (03). A atual época do ano, com o clima de chuva, é a predileta para esse tipo de praga urbana que tanto incomoda e põe medo na população.
A médica veterinária da Coordenadoria de Controle de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde (SESAU, Ana Paula Nogueira, explica que estes animais costumam se alojar no esgoto e encanamentos, mas também podem ser encontrados em frestas e rachaduras em paredes e pisos, caixas de passagem elétrica e pluviais, e entulhos e materiais inservíveis acumulados nos imóveis.
“Dessa forma, recomenda-se que ralos e pias estejam sempre fechados quando não estão em uso, a vedação de frestas e rachaduras, e utilização de equipamentos de proteção individual como botas e luvas ao manusear entulhos e lixos. Tomando estes cuidados gente diminui os riscos de acidentes com estes animais.”, esclareceu ela.
A orientação é para que as vítimas de acidentes com animais peçonhentos, sobretudo às crianças, procurem uma unidade de saúde o mais rápido possível. Conforme a veterinária, caso os animais sejam encontrados na residência, o morador deve isolá-lo em um pote, sempre que possível, e ligar para o CCZ para identificação da espécie e orientações de manejo. O órgão dispõe de dois telefones: 67 3313-5000 e 2020-1796.
Principais espécies de escorpiões
- Escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) – Encontrado em todas as regiões do país. É o que mais preocupa por ser considerado o mais venenoso. Tem reprodução do tipo partenogenética, ou seja, as fêmeas procriam sem precisar que machos as fecundem.
- Escorpião-marrom (Tityus bahiensis) – Encontrado na Bahia e algumas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil.
- Escorpião-amarelo-do-nordeste (Tityus stigmurus) – Também procriam sem a necessidade de um macho. É a espécie mais comum no Nordeste do Brasil, apresentando alguns registros nos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
- Escorpião-preto-da-amazônia (Tityus obscurus) – O principal causador de acidentes e óbitos por picadas de escorpião na região Norte e no estado do Mato Grosso.
Sinais e sintomas
Quando há picada por escorpião, a dor é imediata em praticamente todos os casos, além da sensação de formigamento, vermelhidão e suor no local. Após alguns minutos ou horas, principalmente em crianças, que são mais vulneráveis ao envenenamento, podem aparecer outros sintomas, como tremores, náuseas, vômitos, agitação incomum, produção excessiva de saliva, hipertensão, entre outros.
Todos os escorpiões são venenosos e os riscos aumentam de acordo com a quantidade de veneno injetado e no quão nocivo o veneno de cada espécie é para o corpo humano. Os casos leves, que não necessitam da aplicação do antiveneno, representam cerca de 87% do total de acidentes. O soro antiescorpiônico é disponibilizado apenas nos hospitais de referência do Sistema Único de Saúde (SUS).
Medidas de prevenção
Os escorpiões que habitam no meio urbano se alimentam principalmente de baratas, portanto, são comuns em locais com acúmulo de lixo. São animais que não atacam, mas se defendem quando ameaçados. Para evitar encontros indesejados, é importante:
- Manter lixos bem fechados para evitar baratas, moscas e outros insetos que sejam alimento dos escorpiões;
- Manter jardins e quintais limpos. Evitar acúmulo de entulhos, folhas secas, lixo doméstico e materiais de construção nas proximidades das residências;
- Em casas e apartamentos, utilizar soleiras nas portas e janelas, telas em ralos do chão, pias e tanques;
- Afastar camas e berços das paredes;
- Evitar que roupas de cama e mosquiteiros encostem no chão.
O Ministério da Saúde não recomenda a utilização de produtos químicos (pesticidas) para o controle de escorpiões. Esses produtos, além de não possuírem, até o momento, eficácia comprovada para o controle do animal em ambiente urbano, podem fazer com que eles deixem seus esconderijos, aumentando o risco de acidentes.