Crônica: onde estão os pisca-piscas?
Já não são todos que preenchem os muros, paredes, telhados e árvores com as luzinhas de pisca-pisca. O Natal se aproxima, rasgando a folha de dezembro no calendário. Nas ruas, uma ligeira caminhada confronta um passado nem tão distante, alterado ano após ano.
A sociedade evoluiu e o comportamento se transformou. Mudamos da mesma maneira que encerramos um ciclo, uma amizade, um romance. Quando percebemos, já não está tudo igual, aquela pessoa não está mais presente no cotidiano e nem lembramos quais foram as últimas palavras, o último momento juntos.
O tempo parece que está muito mais rápido do que há 20, 30, 50 anos. Até parece papo de velho, mas a realidade é o que contemplamos nestes dias que antecedem o Natal. A pergunta que fazem nem é tão nova assim: será que vale a pena decorar a casa se tão logo tudo passa e temos que guardar novamente?
Andando pelas ruas da cidade, com exceção do corredor central por onde desfilam as renas e o Papai Noel, há um grande escuro com focos de pisca-pisca esparramados. A magia colorida que anualmente ecoa na canção daquele comercial da Coca-Cola vai sendo escurecida nas mudanças do estilo de vida.
Mas ainda temos os tradicionalistas, amantes desta festa tão querida, responsáveis por dar início à contaminação natalina. Ainda bem, aliás, é prazeroso ver as luzinhas piscando no portão de uma casa, na janela de um apartamento, na vitrine e nos olhos da criança que aguarda pelo Bom Velhinho.
