Com saco de moedas de R$ 1, borracheiro compra Hilux após economizar por oito anos
Um saco cheio de moedas de R$ 1 virou parte do pagamento de uma caminhonete Toyota Hilux e transformou a compra de um borracheiro de Quixeramobim, no interior do Ceará, em assunto nas redes sociais. O dinheiro foi juntado ao longo de oito anos e levado até a concessionária para ajudar a pagar o veículo, avaliado em cerca de R$ 110 mil.
A história chamou a atenção pela quantidade de moedas acumuladas durante anos. O caso também levantou dúvidas sobre as regras para usar dinheiro metálico em compras de alto valor e se os estabelecimentos comerciais podem recusar esse tipo de pagamento.
De acordo com as orientações do Banco Central, as moedas continuam tendo valor legal no Brasil, mas existe um limite para a aceitação obrigatória pelo comércio.
Comércio pode recusar pagamento acima de R$ 191 em moedas
O estabelecimento comercial é obrigado a receber pagamentos em moedas metálicas até o limite de R$ 191 por transação. Acima desse valor, o vendedor pode recusar o pagamento, a menos que concorde em receber a quantia.
O limite considera 100 moedas de cada denominação em circulação: R$ 1, R$ 0,50, R$ 0,25, R$ 0,10, R$ 0,05 e R$ 0,01.
Isso significa que, embora seja possível juntar moedas para comprar um produto caro, o consumidor não pode exigir que o comerciante aceite qualquer quantidade delas. A aceitação de valores superiores ao limite depende da decisão do estabelecimento.
Moedas antigas também continuam valendo
Mesmo as moedas de R$ 0,01, que já não são mais fabricadas, continuam tendo valor legal e podem ser usadas em pagamentos. A interrupção da produção não significa que elas perderam a validade.
Quem tem moedas guardadas em casa também pode procurar uma instituição bancária para depositá-las ou trocá-las por cédulas, conforme os procedimentos oferecidos pelo banco.
Moedas paradas em casa geram custos
As moedas são importantes para o funcionamento do comércio, principalmente para facilitar o troco e permitir a circulação de valores pequenos. Quando ficam acumuladas em casa e deixam de ser usadas, ocorre o chamado “entesouramento”.
Segundo o Banco Central, esse comportamento afeta aproximadamente 35% do total de moedas produzidas no país. Como parte do dinheiro deixa de circular, aumenta a necessidade de fabricar novas unidades para atender à demanda, o que gera despesas e impactos ambientais.
A história do borracheiro, portanto, também chama a atenção para um hábito comum: guardar moedas por muito tempo pode ajudar a juntar dinheiro, mas mantê-las fora de circulação traz custos para a economia.
