PL domina eleições de 2026, elege maiores bancadas do Congresso e leva Flávio Bolsonaro ao 2º turno
O Partido Liberal (PL) terminou o primeiro turno das eleições de 2026 como a principal força política do país, ampliando sua presença nos governos estaduais e conquistando as maiores bancadas da Câmara dos Deputados e do Senado. O partido também colocou Flávio Bolsonaro na liderança da disputa presidencial e registrou votações históricas para seus candidatos à Câmara.
No Senado, o PL elegeu 19 dos 54 parlamentares escolhidos neste domingo (4) e chegará a 2027 com 28 cadeiras, a maior bancada da Casa. Na Câmara, a legenda elegeu 121 deputados, também o maior número obtido por um único partido desde a redemocratização.
O resultado reforça a influência do partido no Congresso e aumenta o peso da direita nas decisões políticas a partir do próximo ano. A nova composição, no entanto, não dá ao PL maioria suficiente para aprovar sozinho propostas que exigem quórum qualificado, como uma PEC.
Na disputa pela Presidência, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com 100% das urnas apuradas, o candidato do PL teve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do atual presidente. Os dois voltam às urnas no dia 25 de outubro.
Veja os principais resultados do PL no primeiro turno de 2026:
- PL elege cinco governadores no primeiro turno
O PL foi o partido que mais elegeu governadores diretamente no primeiro turno, com cinco vitórias.
No Sul, a legenda conquistou os três governos estaduais. Sergio Moro foi eleito no Paraná, Jorginho Mello venceu em Santa Catarina e Luciano Zucco ganhou no Rio Grande do Sul.
No Norte, o PL elegeu Marcos Rogério em Rondônia e Arthur Henrique em Roraima.
O número ainda pode crescer no segundo turno. O partido disputa o governo do Amazonas com Maria do Carmo Seffair. No Rio de Janeiro, a situação depende ainda da definição judicial sobre a candidatura de Douglas Ruas.
O resultado coloca o PL à frente das demais legendas na disputa pelos governos estaduais. PSD elegeu quatro governadores no primeiro turno, enquanto PT e Republicanos ficaram com três cada.
- Partido terá a maior bancada do Senado
O principal avanço do PL ocorreu no Senado. Dos 54 assentos colocados em disputa, a legenda conquistou 19.
Os eleitos se juntam aos nove senadores do partido que já possuem mandato até 2030, fazendo com que o PL comece 2027 com 28 dos 81 integrantes da Casa.
A marca coloca o partido como a maior bancada do Senado na próxima legislatura e representa um dos maiores avanços de uma legenda desde a redemocratização.
O PL também conseguiu eleger os dois senadores em cinco unidades da Federação, formando as chamadas dobradinhas:
• Distrito Federal: Michelle Bolsonaro e Bia Kicis;
• Mato Grosso do Sul: Reinaldo Azambuja e Capitão Contar;
• Rio de Janeiro: Carlos Portinho e Carlos Jordy;
• Rondônia: Dr. Fernando Máximo e Bruno Scheid;
• Santa Catarina: Carlos Bolsonaro e Carol de Toni.
Em Mato Grosso do Sul, a dobradinha garantiu duas cadeiras do PL no Senado. Reinaldo Azambuja foi eleito com 34,64% dos votos válidos, enquanto Capitão Contar obteve 32,82%. Os dois terão mandato de oito anos, de 2027 a 2035.
- PL amplia liderança na Câmara dos Deputados
Na Câmara, o desempenho do PL também foi histórico.
A legenda elegeu 121 deputados federais, 22 a mais do que em 2022, quando havia conquistado 99 cadeiras. Com 99,99% das urnas apuradas, o partido ficou com a maior bancada da Casa para a legislatura que começa em fevereiro de 2027.
A marca supera o recorde anterior do próprio PL e também ultrapassa o desempenho histórico de partidos como o antigo PMDB, atual MDB, que havia eleito 108 deputados em 1990.
A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, elegeu 88 deputados, enquanto a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, ficou com 87.
O tamanho da bancada terá impacto na distribuição das comissões, relatorias, espaços na Mesa Diretora e recursos partidários. Apesar de ser a maior bancada, o PL não terá votos suficientes para controlar sozinho a Câmara, que possui 513 deputados. Para alcançar maioria absoluta são necessários 257 votos; uma PEC exige 308.
- Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato passam de 3 milhões de votos
O PL também estabeleceu um novo recorde individual na eleição para deputado federal.
Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais, ultrapassou a marca de 3 milhões de votos e se tornou o deputado federal mais votado da história do país. Lucas Pavanato, do PL de São Paulo, também superou os 3 milhões.
Na apuração consolidada divulgada pela Câmara, Nikolas recebeu mais de 3,1 milhões de votos, enquanto Pavanato chegou a 3.038.438 votos.
Os dois superaram o recorde anterior, que pertencia a Eduardo Bolsonaro (PL-SP), eleito em 2018 com 1,84 milhão de votos. Nikolas já havia sido o deputado federal mais votado do país em 2022, quando recebeu cerca de 1,47 milhão de votos.
O resultado de 2026 mostra a dimensão do crescimento eleitoral dos dois nomes. Nikolas ficou em primeiro lugar na votação nacional para a Câmara, seguido por Pavanato.
- Flávio Bolsonaro termina o primeiro turno na liderança
Na eleição presidencial, o PL conseguiu colocar Flávio Bolsonaro no primeiro lugar do primeiro turno.
Com 100% das urnas apuradas, o senador recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula terminou com 45,16%. A diferença foi de pouco menos de dois pontos percentuais.
Flávio foi o candidato mais votado em 14 estados e no Distrito Federal. Lula, por outro lado, manteve forte desempenho no Nordeste e venceu nos nove estados da região.
A disputa entre os dois será decidida no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
O resultado presidencial acrescenta uma nova dimensão ao avanço do PL no Congresso. Caso Flávio Bolsonaro seja eleito, o partido poderá iniciar 2027 controlando o Palácio do Planalto e, ao mesmo tempo, ocupando as maiores bancadas da Câmara e do Senado.
Mesmo se Lula vencer a disputa presidencial, a nova correlação de forças no Congresso permanecerá como um dos principais desafios políticos do próximo governo. A partir de fevereiro, o PL terá 121 deputados e 28 senadores, o que dará à legenda papel central na formação de maiorias e na definição da agenda legislativa.
