Da lama ao caos: administração da Capital pecou em não se preparar para o temporal
A vulnerabilidade administrativa de Campo Grande ficou evidente em mais uma situação de crise provocada pela passagem de um forte temporal. O cenário é o mesmo que se repete ao longo dos últimos anos, com falta de maquinário, equipes braçais e todo o aparato e estrutura que deveriam estar prontos para atender aos problemas deixados pelo fenômeno climático.
Não é de hoje que a população reclama, especialmente nas redes sociais, que a Prefeitura Municipal está deixando diversos bairros fora da lista de prioridades quando a pauta é o serviço de infraestrutura básica. Regiões mais distantes do centro são as que mais sofrem com esse descaso imposto pela gestão liderada pela prefeita Adriane Lopes (PP).
Na quinta-feira (10), um forte temporal atingiu o município com ventos de cerca de 85 km/h, derrubando árvores, postes de energia elétrica, estruturas metálicas, telhados e outros, e, passados cinco dias desde então, a Prefeitura ainda não deu conta do recado de reparar 100% dos estragos.
Nessa segunda (13), alunos de escolas municipais, como a do Maestro João Corrêa Ribeiro, no bairro Jardim Presidente, não tiveram aula, pois não houve o reparo a tempo do telhado danificado pela tempestade. Fato que só ocorreu no período vespertino. Os alunos perderam dois dias de atividades pedagógicas, já que na sexta (12) também tinham sido dispensados.
Outro problema crônico foi a falta de cascalhamento nas ruas que não têm asfalto. No bairro Recanto dos Paineiras, o ônibus do Consórcio Guaicurus ficou atolado no lamaçal da Rua Dolores Duran. Segundo o relato do morador, no domingo (13), um carro já tinha passado pela mesma situação e, anteriormente, foi a vez do caminhão que faz a coleta do lixo. “E assim vamos indo, né!”, ironizou.
Na Rua Camboatá, no bairro Santa Emília, o caminhão de uma loja de departamentos também ficou preso no meio da rua eslamada. Outro caminhão da empresa foi deslocado para ajudar na retirada. “Até quando vamos ficar invisíveis para a Prefeitura Municipal?”, argumentou uma pessoa sobre o descaso.
Esses foram apenas alguns dos exemplos registrados hoje pelos moradores, que há tempos buscam respostas da prefeita sobre o resultado dos impostos, especialmente o IPTU, que pagam mensalmente. A lentidão na solução dos danos comprova que não houve preparo, mesmo a previsão alertando muito antes sobre o risco de um forte temporal.
Esse cenário de uma cidade devastada preocupa ainda mais ante as previsões meteorológicas para a chegada do fenômeno El Niño, já classificado como o mais forte de toda a história. A pergunta que esse editorial tece aos responsáveis pela administração pública é muito simples e direta: Campo Grande está preparada para enfrentar novos temporais?
