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Ex‑deputado Neno Razuk vai parar na Difusão Vermelha da Interpol e será procurado em 196 países

A Justiça de Mato Grosso do Sul determinou que a Polícia Federal solicite a inclusão de Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk, na lista de Difusão Vermelha da Interpol.

A medida, tomada na quarta‑feira (22), atende a pedido do MPMS e fará com que o ex‑deputado seja buscado em todos os 196 países membros da organização.

O caso

A prisão preventiva do ex-político foi decretada em 8 de julho de 2026, logo após perder o mandato na Assembleia Legislativa e a imunidade parlamentar. A sentença prevê mais de 15 anos de reclusão, além de proibição de exercer cargo público por oito anos.

No 16 de julho, o desembargador Jonas Hass Silva Júnior, da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), negou o pedido liminar feito pela defesa do ex-deputado.

Há indícios de que ele possa estar fora do país; até o momento seu paradeiro é desconhecido. A defesa afirma ainda não ter sido intimada da decisão e diz confiar na revogação da prisão, argumentando que os fatos são antigos e não justificam a medida cautelar.

Veja nota da defesa na íntegra:

“A defesa de Roberto Razuk Filho (Neno Razuk) recebeu com serenidade a decisão que apreciou o pedido liminar no Habeas Corpus. Importa esclarecer que a decisão proferida não analisou o mérito das teses defensivas, limitando-se a postergar sua apreciação para o julgamento definitivo da impetração. Assim, não houve rejeição dos fundamentos jurídicos apresentados pela defesa, os quais serão oportunamente examinados pelo órgão colegiado competente.

A defesa permanece confiante na reversão da decisão, por entender que as teses deduzidas no Habeas Corpus são sólidas e demonstram, entre outros aspectos, a ausência dos requisitos legais necessários à manutenção da prisão cautelar, especialmente diante da falta de contemporaneidade dos fatos que embasaram a medida extrema.

Desse modo, a expectativa de reforma da decisão permanece íntegra, estando vivas e firmes as esperanças de que, no julgamento do mérito, seja restabelecida a liberdade de Roberto Razuk Filho, em estrita observância às garantias constitucionais e à jurisprudência dos tribunais superiores.”

Operação Successione

A ação do Gaeco/MPMS investiga uma organização criminosa voltada à exploração ilegal do jogo do bicho, com atuação violenta para dominar o ramo em todo o Estado. As fases da operação ocorrem desde dezembro de 2023:

Conforme as investigações, a família herdou parte da estrutura comandada antigamente por Fahd Jamil, que dividiu o controle: a região de Campo Grande ficou com Jamil Name, enquanto Dourados e Ponta Porã passaram a ser comandados por Roberto Razuk, com Neno apontado como o líder atual do grupo.

Em outubro de 2023, foram apreendidas mais de 700 máquinas em um QG no Jardim Monte Castelo, em Campo Grande. O grupo é acusado de roubos a rivais e conta com participação de policiais militares e ex‑policiais.

O esquema movimentava cerca de R$ 600 mil por mês; foram pedidos o bloqueio de R$ 36 milhões em bens da família Razuk. Além de Neno, são alvos seu pai Roberto Razuk e os irmãos Rafael e Jorge Razuk Neto.