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Especialista alemã em tamanduá-bandeira e piloto foram as vítimas da queda de avião na Capital

Uma das maiores referências mundiais em estudos com o tamanduá-bandeira, a pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff, e o piloto Henrique Martin morreram na manhã desta sexta-feira, após a queda da aeronave em que viajavam, na região do Aero Rural, próxima ao Aeroporto Santa Maria, na saída para Três Lagoas, em Campo Grande. O voo seguia com destino ao Pantanal sul-mato-grossense, onde a cientista realizava trabalhos de campo.

A queda ocorreu por volta das 6h30, em área de mata de difícil acesso. Os destroços foram encontrados por um trabalhador local, e equipes do Corpo de Bombeiros enfrentaram dificuldades para chegar ao local — inclusive com veículos de socorro atolados na estrada de terra — até confirmarem as duas vítimas. A aeronave, modelo EMB-810D, prefixo PT-WYQ, pertence à empresa Amapil Táxi Aéreo, que lamentou o ocorrido e se colocou à disposição das investigações (veja a nota no final do texto).

Hipótese de desorientação espacial por clima

Em coletiva de imprensa, ainda no local dos fatos, o delegado Sam Ricardo Aranha Suzumura, que coordena as apurações iniciais, disse que a linha investigativa mais forte até o momento é a desorientação espacial provocada pela forte cerração que atingiu a região na madrugada e manhã desta sexta.

“Quando as buscas começaram, a visibilidade já era muito baixa — e provavelmente estava ainda pior no momento do voo. As condições climáticas podem ter feito com que o piloto não tivesse noção exata da posição da aeronave, talvez nem tempo de tentar corrigir a rota”, explicou o delegado.

Ele ressaltou, contudo, que a informação ainda é especulativa e precisa ser confirmada: “Ele talvez nem tenha percebido a situação a tempo de reverter, mas só os laudos técnicos vão confirmar”.

Além do fator climático, a integridade e o funcionamento mecânico do avião serão analisados com apoio do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa), e o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) acompanha todo o processo. O avião havia saído do aeródromo e tentou pousar em uma pista privada antes de cair.

Quem eram as vítimas

Especialista alemã em tamanduá-bandeira e piloto foram as vítimas da queda de avião na Capital
Foto: Redes Sociais

Lydia Möcklinghoff, de 45 anos, era zoóloga, ecóloga tropical, jornalista científica e escritora. Pesquisava o tamanduá-bandeira — espécie classificada como vulnerável à extinção — no Pantanal desde o fim dos anos 2000, sendo uma das pioneiras em estudos de longo prazo sobre o comportamento da espécie na natureza.

Tinha mestrado em Zoologia pela Universidade de Würzburgo (Alemanha) e doutorado em andamento na Universidade de Bonn, além de integrar grupos de pesquisa renomados. Também produzia conteúdo, participava de documentários e palestras sobre a biodiversidade brasileira.

Na quinta-feira (2), publicou em sua rede social um vídeo da janela de um avião, enquanto saía do Rio de Janeiro. “Visão casual pela janela de um avião ao sair do Rio”, legendou. Em 2018, publicou que fazia um estudo de papa-formiga/câmera no Pantanal. “Trabalhar com armadilhas para câmeras é sempre como uma caça ao tesouro — nunca se sabe o que vai encontrar, quando recolhe o cartão SD depois de alguns dias”, compartilhou.

Especialista alemã em tamanduá-bandeira e piloto foram as vítimas da queda de avião na Capital
Foto: Redes Sociais

Já o piloto Henrique Martin, de 27 anos, concluiu a formação em 2019 e atuava frequentemente em voos rumo ao Pantanal. Nas redes sociais, compartilhava a paixão pela aviação, por viagens de motocicleta e momentos em família. Ele deixa esposa e uma filha. Em mensagem nas redes, a mulher lamentou a tragédia: “Amorzinho, não tenho palavras… que Deus conforte nossos corações”.

O que disse a empresa?

“A AMAPIL Táxi Aéreo Ltda. confirma, com profundo pesar, o acidente ocorrido na manhã desta sexta-feira, 3 de julho de 2026, envolvendo uma de suas aeronaves, que resultou no falecimento do piloto e de uma passageira. Neste momento de imensa tristeza, a empresa manifesta sua solidariedade e as mais sinceras condolências aos familiares, amigos e pessoas próximas das vítimas, colocando-se à disposição para prestar todo o apoio necessário.

Toda a equipe da AMAPIL está profundamente consternada com o ocorrido. Há mais de 52 anos atuando na aviação civil, a empresa sempre conduziu suas operações com absoluto compromisso com a segurança, a manutenção de suas aeronaves e o rigor técnico exigido pela atividade. Desde os primeiros momentos, a AMAPIL vem colaborando integralmente com o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) e com as demais autoridades competentes, fornecendo todas as informações e o suporte necessários para a apuração dos fatos.

As causas do acidente ainda estão sendo investigadas pelos órgãos responsáveis. Em respeito às famílias das vítimas e à investigação em curso, a empresa não se manifestará sobre aspectos técnicos ou circunstâncias do acidente até a conclusão dos trabalhos oficiais. A AMAPIL reafirma seu compromisso com a transparência, com a segurança operacional e com o respeito às vítimas e seus familiares”.