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Com 61 crianças na espera em MS, fila de cirurgias cardíacas entra na mira do MP

A fila de crianças à espera de cirurgia cardíaca pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Mato Grosso do Sul voltou a ser alvo de investigação do Ministério Público Estadual. Com dezenas de pacientes ainda aguardando atendimento, alguns há vários anos, o órgão instaurou um inquérito civil para apurar os entraves na realização dos procedimentos e cobrar medidas que ampliem a capacidade da rede pública.

A investigação é conduzida pela 32ª Promotoria de Justiça e teve início em 2025, após um levantamento apontar a existência de 83 crianças na fila para cirurgias cardíacas. Entre os casos identificados estavam pacientes que aguardavam o procedimento desde 2018.

Embora parte da demanda tenha sido atendida ao longo dos últimos meses, o cenário ainda preocupa. Dados atualizados obtidos pelo Ministério Público mostram que 61 crianças continuam à espera da cirurgia, indicando que a oferta de procedimentos permanece abaixo da necessidade.

Entre os principais problemas identificados está a concentração do serviço em apenas uma unidade hospitalar. Atualmente, a Santa Casa de Campo Grande é o único hospital habilitado a realizar cirurgias cardíacas pediátricas pelo SUS em Mato Grosso do Sul, o que limita o número de atendimentos e aumenta o tempo de espera.

O inquérito também aponta dificuldades estruturais e operacionais que afetam diretamente a realização das cirurgias. Episódios de desabastecimento de insumos e interrupções temporárias no serviço levaram o hospital a suspender procedimentos eletivos, priorizando pacientes em situação de urgência e emergência.

Outro fator que compromete a retomada das cirurgias programadas é a disponibilidade de leitos de terapia intensiva pediátrica. A unidade dispõe de seis vagas destinadas ao pós-operatório, que frequentemente permanecem ocupadas por casos emergenciais, impedindo o aumento do número de procedimentos agendados.

Para aprofundar a investigação, o Ministério Público solicitou informações detalhadas aos gestores da saúde e à direção da Santa Casa. Entre os dados requisitados estão o número atualizado de pacientes na fila, a quantidade de cirurgias realizadas, os critérios utilizados para definir a prioridade dos atendimentos e as estratégias previstas para ampliar a oferta de procedimentos.

Além da coleta de informações, uma reunião técnica deve ser realizada nos próximos dias com representantes dos órgãos envolvidos e da unidade hospitalar. O objetivo é discutir alternativas que permitam reduzir o tempo de espera, ampliar a capacidade de atendimento e aperfeiçoar o fluxo de assistência às crianças que dependem de cirurgia cardíaca pelo SUS.