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Homens usam faca quente para marcar suástica no braço de mulher trans

Um caso de tortura, violência e ameaça está sendo investigado pela Polícia Civil em Ponta Porã. A ocorrência tem como vítima uma mulher trans, de 29 anos, que acusou como autores o seu ex-companheiro e mais duas pessoas.

Os fatos ocorreram na madrugada desse sábado (14). Na versão dela, o ex teria ido até a sua casa durante a manhã da sexta-feira (13) e, após conversarem, reatou o relacionamento. Durante a tarde, uma mulher a chamou para cortar a grama de sua casa.

A vítima foi até o local indicado, acompanhada pelo companheiro, porém, antes de começar a trabalhar, foi chamada para descansar em um espaço próximo de uma churrasqueira. Ao mesmo tempo, o companheiro dela foi conversar com o morador em outro cômodo.

Em seguida, a vítima também foi chamada para entrar no cômodo para receber o pagamento do serviço. Nesse momento, segundo a versão dela, flagrou o companheiro segurando uma faixa de artes marciais e o morador sentado em um recipiente com sangue.

O morador mandou que ela cheirasse o recipiente com o sangue e o enterrasse; no entanto, a vítima negou a ordem. Após isso, teria sido obrigada a se sentar e ameaçada de morte, segundo indaga se preferia morrer em pé ou sentada.

Sem entender o que estava acontecendo, a mulher tentou fugir correndo, mas foi impedida pelo companheiro, que a segurou pelo braço. Outro homem que também estava no local passou a bater nela com um taco de sinuca.

Houve a luta corporal entre eles e a vítima se soltou, correndo para a lateral da casa, mas foi capturada novamente e agredida pelos três, incluindo o seu companheiro, com golpes de vassoura, pisões, chutes e socos.

Um dos homens tentou amarrá-la com a faixa de jiu-jitsu, o pescoço chegou a ser enrolado com o objeto. Para evitar que ela chamasse a polícia, o celular foi danificado com uma faca. A vítima detalhou que ainda os autores bebiam cerveja e a agrediam na cabeça.

Um deles ficou o tempo todo com a faca, afiando a lâmina, em sinal de ameaça. Após algumas horas, essa mesma faca foi aquecida no fogo e usada para gravar o símbolo da suástica no braço esquerdo dela.

Somente então os autores abriram o portão e a deixaram fugir, porém, ameaçaram de morte caso denunciasse o caso para as autoridades. Aidana sua versão, contou que não procucou a polícia no primeiro momento temendo pela sua vida.

Porém, após algum tempo em sua casa, decidiu pedir ajuda em um estabelecimento em frente à rodoviária, ocasião em que a Polícia Militar foi acionada e iniciou as diligências.

Rapidamente, um dos envolvidos foi localizado nas proximidades de um terreno onde, segundo moradores, teria sido enterrado um possível feto. Na sua versão, admitiu ter dado socos na vítima e confirmou que a segurou para que outro a queimasse com a faca.

Na residência do casal apontado pela vítima, inicialmente ninguém atendeu os policiais, apesar de haver sinais de pessoas no interior da casa. Após insistência, os policiais entraram no imóvel e um dos moradores abriu a porta minutos depois.

Ele afirmou que a confusão teria começado após uma discussão entre a vítima e o homem preso. Segundo a versão apresentada, ambos teriam iniciado uma briga física e ele apenas tentou separar.

A mulher também afirmou ter ouvido barulhos de discussão e tapas e disse ter visto os dois brigando quando saiu do escritório. Todos os envolvidos foram levados para a delegacia para prestar esclarecimentos.

A vítima apresentava diversas lesões, incluindo hematomas no rosto, inchaço na testa e queimadura em forma de suástica no braço esquerdo. O caso foi registrado como constituir crime de tortura e lesão corporal e é investigado pela Polícia Civil.