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Após paralisação, vereadores vão criar Fundo de Mobilidade para custear o transporte público

Em reunião de emergência na manhã dessa quarta-feira (22), a Comissão Permanente de Transporte e Trânsito da Câmara Municipal de Campo Grande tratou da criação de um Projeto de Lei (PL) para criação do Fundo Municipal de Mobilidade e Trânsito. A proposta deverá tramitar em regime de prioridade.

A proposta quer assegurar a previsibilidade dos repasses e um novo modelo de financiamento do transporte público na Capital. “Queremos criar um mecanismo de repasse direto e transparente, para que os recursos destinados ao transporte cheguem ao destino sem atrasos”, afirmou o presidente da Câmara, vereador Papy.

A matéria prevê que parte da arrecadação de multas de trânsito, estacionamentos regulamentados e outras fontes de receita possam compor um fundo permanente para custear o sistema de transporte público, garantindo estabilidade financeira e eficiência nos repasses.

A paralisação

Os motoristas do Consórcio Guaicurus, coletivo de empresas de viação que opera o sistema de transporte público em Campo Grande, fizeram um protesto de cerca de uma hora na manhã dessa quarta-feira, atrasando a saída dos ônibus das garagens e deixando dezenas de passageiros esperando nos terminais e pontos de embarque.

Em um vídeo, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo e Urbano de Campo Grande (STTCU), Demétrio Freitas, explicou que essa paralisação foi motivada por um impasse financeiro entre o Consórcio Guaicurus e a Prefeitura Municipal, no que se refere a atraso do adiantamento salarial.

“O Consórcio comunicou que não vai conseguir honrar o pagamento do vale. Segundo eles, não têm dinheiro porque a Prefeitura está deixando de pagar repasses em atraso. Com isso, repassaram para a gente que não vai pagar hoje e não informaram a data. Tomaremos as medidas necessárias para que todos recebam quanto antes”, disse.

Sobre os repasses, os vereadores identificaram atrasos de quatro meses nos valores relativos ao passe do estudante por parte dos Executivos Municipal e Estadual, totalizando um montante de aproximadamente R$ 9,5 milhões, o que atrasou o pagamento do vale dos funcionários do Consórcio Guaicurus, culminando na paralisação.

“O Consórcio notificou a falta de repasses em setembro e outubro, e todos os documentos foram encaminhados pela Casa às autoridades competentes, como Ministério Público, Prefeitura e Governo do Estado. Vamos pedir uma reunião com a prefeita, o consórcio e o sindicato, porque o cidadão não pode continuar sendo penalizado”, disse Papy.

Ainda segundo o presidente do Sindicato, a paralisação de hoje foi apenas para pressionar o Consórcio Guaicurus a efetuar o pagamento do vale, caso não ocorra, uma assembleia-geral será organizada nos próximos dias para debater a paralisação total. “Provavelmente na segunda-feira, dia 27, não tenha ônibus durante o dia inteiro”, disse Demétrio.