Campo Grande é referência em arborização, mas acesso ao verde ainda é desigual
Campo Grande recebeu, pelo sexto ano consecutivo, o título de Tree City of the World (Cidade Árvore do Mundo), concedido pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) e pela Fundação Arbor Day. A capital sul-mato-grossense é a única cidade do Brasil a manter esse selo por seis anos seguidos, resultado de políticas públicas consistentes e planejamento urbano.
Segundo o IBGE, a cidade possui 91,4% de arborização, com 73,66 m² de área verde por habitante — bem acima da média nacional de 15 m² por pessoa recomendados pela Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU). Estudos da UFMS mostram que apenas as áreas verdes privadas somam mais de 10 mil hectares, com bairros como o Bandeira concentrando grande parte da cobertura.
No entanto, os especialistas alertam: embora Campo Grande tenha verde de sobra para mostrar, o acesso a ele ainda não é igualitário. Muitas regiões da cidade carecem de praças, parques e áreas arborizadas próximas à população, fazendo com que os benefícios da vegetação — conforto térmico, lazer e qualidade de vida — sejam sentidos de forma desigual.
Para a professora Lusianne Azamor, coordenadora de Arquitetura e Urbanismo da Estácio, o título internacional deve servir como alerta para políticas mais inclusivas. “A arborização urbana não pode ser apenas um cartão-postal. É preciso que todas as regiões tenham acesso a áreas verdes, com conectividade entre os espaços, garantindo que os benefícios alcancem toda a população”, afirma.
O desafio urbano também envolve segurança e infraestrutura. Árvores mal posicionadas podem gerar sombras excessivas em vias públicas, comprometendo iluminação e visibilidade. Por isso, arquitetos e urbanistas avaliam cada projeto para equilibrar vegetação, mobilidade e bem-estar da população.
Mais do que números impressionantes, o verde de Campo Grande é um patrimônio que precisa ser compartilhado. Praças, parques e áreas arborizadas devem ser acessíveis a todos, não apenas aos bairros centrais ou áreas privadas, garantindo que a cidade continue sendo exemplo de sustentabilidade e qualidade de vida para toda a população.
